Em 1969, Cliff Bennett — já conhecido por liderar os Rebel Rousers e por ter emplacado um hit produzido por Paul McCartney (Got to Get You Into My Life, Top 10 britânico em 1966) — decidiu dar um passo arriscado. O R&B britânico que o consagrara começava a perder espaço para o rock mais pesado e progressivo. Foi nesse contexto que nasceu o Toe Fat, uma banda que, embora efêmera, se tornaria um elo importante na cadeia evolutiva do rock setentista.
A formação inicial reuniu nomes que, à época, ainda buscavam espaço, mas que mais tarde se tornariam pilares de grandes grupos:
- Cliff Bennett – vocais
- Ken Hensley – guitarra/teclados (futuro Uriah Heep)
- Lee Kerslake – bateria (futuro Uriah Heep e Ozzy Osbourne)
- John Glascock – baixo (futuro Jethro Tull)
- Alan Kendall – guitarra (futuro Bee Gees)
- Brian Glascock – bateria (futuro The Motels)
A lista impressiona: Toe Fat foi menos uma banda consolidada e mais um ponto de encontro de músicos que, dali em diante, escreveriam capítulos fundamentais da história do rock.
1. Toe Fat – com destaque para Bad Side of the Moon (cover de Elton John), Nobody e Working Nights.
2. Toe Fat Two – considerado mais coeso, mas igualmente ignorado pelo grande público.
A crítica da época foi morna. Sites especializados que revisitaram os álbuns, como AllMusic e ProgArchives, apontam que o primeiro trabalho tinha energia, mas carecia de identidade própria. Já o segundo, embora mais maduro, não conseguiu romper o anonimato. Hoje, ambos são cultuados por colecionadores e fãs de obscuridades do rock britânico.
- Antes: Bennett era um nome respeitado no circuito R&B britânico dos anos 60. Sua ligação com os Beatles lhe deu notoriedade e credibilidade.
- Durante: Com Toe Fat, tentou se reinventar dentro do hard rock e do nascente progressivo. A aposta não vingou comercialmente, mas o projeto serviu de trampolim para os colegas de banda.
- Depois: Após a dissolução do Toe Fat em 1971, Bennett se afastou do mainstream. Sua carreira seguiu discreta, com participações ocasionais em projetos menores e apresentações nostálgicas. Nunca repetiu o sucesso dos Rebel Rousers, mas manteve-se como figura respeitada na cena britânica.
Toe Fat não foi uma banda de grandes hits, mas sua importância está no que representou: um laboratório criativo que reuniu músicos em transição e os lançou para carreiras brilhantes. Uriah Heep, Jethro Tull e até os Bee Gees carregam em sua história a marca de ex-integrantes do Toe Fat. Cliff Bennett, por sua vez, permanece como um personagem de transição — um artista que brilhou no R&B dos anos 60 e tentou se reinventar no rock dos 70, sem o mesmo êxito.